Imagine um dia com muitas expectativas. Esse foi o meu hoje. Hoje cedo.
Estava certa de que uma mudança muito séria e profunda (que contornará um grande mal estar) se daria hoje.
Mas como diria um famoso dublador... "Não deu..."
E como fica esse dia quando você descobre que uma das pessoas a quem você mais bem quer no M.U.N.D.O está no hospital? Complicado né? Fiquei preocupada, quis chorar, senti toda aquela ansiedade, medo e dor borbulhando dentro mim.
Estou atravessando mais uma daquelas crises existências bem f...das. Claro! Eu deveria ter vergonha na minha cara afinal fiz 31 anos, tenho um teto sob o qual dormir, algo do que me alimentar, pessoas que me amam a maior parte do tempo... Mas sabe que estou começando a me aceitar quando estou assim?
"Aceitar não é o mesmo que conformar. Respeitar não é o mesmo que incentivar"
Agora no final do dia percebi que me foi dada a chance de encontrar uma pequena redenção: poder ir visitar alguém que amo no hospital. Tudo isso por que há alguns anos atrás cancelei um compromisso com uma pessoa que nesta vida não mais verei. Eu disse cancelei? Bom, cancelei no sentido de furar. E me lembro que quando ouvi a voz dela ao celular dizendo "Você não vai vir né?" eu jamais poderia compreender o tamanho da porcaria que eu fazia. Ela não estava no hospital, mas sofreu um mau súbito... e partiu. Sem tempo de ouvir novamente da minha parte um "Vamos marcar"...
Hoje eu fui. Deixei toda preguiça, descaso e desculpa esfarrapada e fui. E foi. Foi maravilhoso poder ver aqueles olhinhos sonolentos se abrindo, surpresos ao me ver sentada ao lado de sua cama. Eu pude - e do fundo da minha alma - sentir o prazer de estar lá. Sem querer imaginar ou mesmo me perguntar se ela faria o mesmo por mim. Apenas curtindo a alegria de ser uma companheira de verdade.
É como a minha musa Clarice (Lispector) escreveu: "Um amigo me chamou pra cuidar da dor dele, guardei a minha no bolso. E fui."
Lá estive eu, no quarto 209, renovando os laços de uma amizade pela qual eu acho que faria qualquer coisa. E o mais bacana de tudo isso sabe o que é? É que não precisamos doar um rim, emprestar muito dinheiro, engolir sapossauros ou tentar milagres fajutos. Se você tem um amigo e sabe que não viveria tão bem sem ele só precisa deixar um pouco todas as outras coisas de lado e estar lá num momento em que ninguém mais está.
Seja abrindo a porta da geladeira sem pedir, quebrando um vaso dado pela avó dele, jurando nunca mais voltar a jogar com ele (já ninguém tira da tua cabeça que o fulano rouba) ou ouvindo uma senhora e incômoda verdade, daquelas que doem lá no fundo.
Você só precisa estar lá...
Nada de scrap, sms, telefonema ou qualquer uma dessas vantagens modernas ou tecnológicas.
Você SÓ precisa estar lá...
Você SÓ precisa estar lá...
(Amo você Gi, fica bem logo tá?)
Um post sincero e do fundo do coração.
ResponderExcluirDe coisas assim que precisamos, de atitudes simples como a sua (que na verdade significam muito) que precisamos.
E aprender com alguma de nossas falhas é o melhor caminho para nos tornamos melhores